quinta-feira, 16 de março de 2017

Quando Tu Passas Por Mim


 Quando tu passas por mim Por mim passam saudades cruéis Passam saudades de um tempo Em que a vida eu vivia a teus pés Quando tu passas por mim Passam coisas que eu quero esquecer Beijos de amor infiéis Juras que fazem sofrer Quando tu passas por mim Passa o tempo e me leva pra trás Leva-me a um tempo sem fim A um amor onde o amor foi demais E eu que só fiz te adorar E de tanto te amar penei mágoas sem fim Hoje nem olho pra trás Quando tu passas por mim

Vinicius de Moraes

fonte: http://www.letras.com.br/vinicius-de-moraes/quando-tu-passas-por-mim

domingo, 23 de outubro de 2016

Três Cantos

Três Cantos

Quando se brinca contente
Ao despontar da existência
Nos folguedos de inocência,
Nos delírios de criança;
A alma, que desabrocha
Alegre, cândida e pura —
Nesta contínua ventura
E' toda um hino: — esperança!

Depois... na quadra ditosa,
Nos dias da juventude,
Quando o peito é um alaúde,
E que a fronte tem calor:
A alma que então se expande
Ardente, fogosa e bela —
Idolatrando a donzela
Soletra em trovas: — amor!

Mas quando a crença se esgota
Na taça dos desenganos,
E o lento correr dos anos
Envenena a mocidade;
Então a alma cansada
Dos belos sonhos despida,
Chorando a passada vida —
Só tem um canto: — saudade!

Casemiro de Abreu - Fevereiro, 1858

Luís de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Monte Castelo

Monte Castelo
Renato Russo
 
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor eu nada seria
http://olivrodosdias-interpretacao.blogspot.com.br/2012/06/interpretacao-monte-castelo.html

Mortal Loucura

(Gregório de Matos / José Miguel Wisnik)

Na oração, que desaterra......... a terra (aterra),
Quer Deus que a quem está o cuidado.... dado,
Pregue que a vida é emprestado........... estado,
Mistérios mil, que desenterra.............. enterra.

Quem não cuida de si, que é terra,.......... erra,
Que o alto Rei, por afamado............... amado,
É quem lhe assiste ao desvelado............. lado,
Da morte ao ar não desaferra,.............. aferra.

Quem do mundo a mortal loucura.......... cura,
A vontade de Deus sagrada.................. agrada
Firmar-lhe a vida em atadura................. dura.

Ó voz zelosa, que dobrada..................... brada,
Já sei que a flor da formosura,............... usura,
Será no fim desta jornada....................... nada.

http://lendocancao.blogspot.com.br/2016/03/mortal-loucura.html

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

PRETOS NOVOS 2

Esse que para o colonizador não eram batizados
Esse que foram trazios à força
Esses que não resistiram a crueldade da viagem
Esses que ao chegar foram enterrados
No cemitério Pretos Novos
Um cemitério só deles
Que hoje
Não é mais anônimo
Pois agora o caminho do cemitério tem nome,
Porque na cultura africana
Não se morre se passa do mundo dos vivos
Para o mundo dos mortos
A cada dia saudamos nossos pretos novos,
Esse que hoje são ancestrais e
E deixaram aqui sua dor  seu lamento,
Mas sem perder a fé
Foi a fé que os embalou na travessia
Foi a fé que os fez esperar até que fosse,
Encontrados,
Podemos pensar que nós os achamos debaixo da terra
Mas decerto foram eles que nos guiaram, ou melhor,
Guiou na compra da casa,
Guiou os professores e pesquisadores, na pesquisa, em prol da
memória dos Pretos Novos,
Guia cada um que entra neste espaço,
Estão guiando minhas palavras,
Estão guiando a fé de todos que acreditam
Que os pretos novos vivem,
Eles não morreram
Ao passar por este crime, mais este crime, além dodo tráfico de
Escravos.
Então vamos entoar nossa voz, nossa força e nosso axé
Para saudá-los:
Pretos Novos
Não eram novos
Pretos Novos
Quais eram seus nomes,
Arrancaram
Pretos Novos
Qual eram a suas origens?
Ocultaram
Pretos Novos
poque vieram?esta atrocidade
Fomos arrancados de casa
Pretos Novos
Como foi a viagem?
Com dor , lamento e sofrimento
Pretos Novos
Como resistiram?
Tendo fé
Pretos Novos
Não podemos mudar,
Mas podemos falar dela aos quatros cantos
Pretos Novos
A intenção hoje é saudar cada um de vocês
Pretos Novos
Pretos
Ancestres
Eguns
seja qual for a saudação
Jamais serão esquecidos, pois este espaço hoje
Tem como objetivo saudá-los,
porque não temos a dimensão do que foi para todos vocês:
Cada gemido,
Cada lamento,
Cada tortura,,
Cada corpo,
Cada morto
A fome,
a sede
A dor ,
As Lágrimas
O mar,
O caminho sem volta
A vontade de voltar,
A doença,
A passagem,
Sabemos que só isso não basta,
Mas que estamos aqui contando esta história,
poque vocês resistiram, fizaeram história
Estarão para sempre em nossa emória.
A todos vocês pretos novos e velhos,
Peço a bênção

Fonte:http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/4316780




VIVER

Viver sem amarras
Viver sem pudor
Sem rancor
Sem dor
Viver com amor
Afeto
Liberdade e
Emoção.

Fonte: http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdealegria/3954869